daqui pra frente tudo vai ser diferente
Bicarbonato de Soda
Álvaro de Campos
Súbita, uma angústia…
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!
Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço…
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?
Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir…
E–xis–tir …
Meu Deus! Que budismo me esfria no sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,
Sem esperança, em liberdade,
Sem nexo,
Acidente da inconseqüência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!
Dêem-me de beber, que não tenho sede!
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essse poema nem é lindo, mas adoro esse parte: “esterco metafísico os meus propósitos todos”. gosto do e-xis-tir também. me faz pensar que fernando pessoa poderia conversar comigo no gtalk. ou que quando faço algo parecido no gtalk (separar as síbalas para dar uma ênfase irônica) há uma ponta de poesia.
de resto, angústia tem se mostrado uma palavra útil. ela não requer muitas explicações. não é transitiva. defini-se por si só. pelo menos pra mim.
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tenho uma lista de coisas que quero fazer (início de ano e bla bla bla). é um mix de utopias. vai desde de “emagrecer” até fazer depilação a laser, passando por ir ao ginecologista – por aí vc mede meu compromisso com coisas sérias da vida e também como tenho foco. entre elas está escrever nesse blog. é uma lista. está lá nas minhas tarefas do gtalk. gosto de pensar que é UM PASSO.
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minha vó tem uma expressão que sempre gostei: ficar sem arte. numa analogia simples diria que é um ficar sem graça mais profundo. eu sempre gostei de imaginar que ficar sem arte é o beco sem saída. porque sem graça ainda dá para superar, disfarçar. sem arte é nível engolir o choro com todo mundo vendo que vc ia chorar (quando vc não queria fazer cena, queria DE FATO engolir o choro), adianta de nada.
odeio ficar sem arte. sobretudo quando depois do ocorrido consigo imaginar milhares de maneiras de disfarçar ou melhor devolver minha falta de arte com ironias.
minha vó dizia que ficar sem arte ensina. a boa é aprender e guardar a ironia para a próxima situação. ela virá.
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doida pra vê-lo cantar essa música:
vício a mais… desprezo por fim…
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espero que gostem – todas os dois visitante que mantêm a média de 3 visitas mensais a esse blog – da minha possível volta. até a luiza que do canadá pode continuar me acompanhando.

eu sou o ter-cei-ro…
vi que o folhas secas ressucita devagarzinho também. e bom saber que ao menos vc ainda vem por aqui :-)