Volto aqui por falta de lugar melhor para chorar meus dramas pequeno burgueses e baianos.
Há uns três meses, prometi pra mim que voltaria pra terapia. Até agora não voltei e fico mentindo pra mim todo dia, colocando-me prazos que nunca cumpro. Hoje determinei um novo prazo: tenho até 30/11 pra resolver isso.
Eu acho que eu estou pirando mais do que posso conceber como tolerável. Sinal disso é que eu começo a travar diálogos imaginários com uma frequência absurda de madrugada. Outra coisa que acontece é que fico com dificuldade de dormir, não por estar insone, mas porque me incomodo com coisas absurdas. Houve uma época que o pijama me incomodava como se tivesse apertado (e não estava). Há mais ou menos uns dois anos, eu sonhava com tiros dados por trás e acordava procurando o buraco de bala nas costas. A bola da vez é uma coceira imaginária, como se todo meu corpo tivesse sido picado por mosquitos. Estou lá dormindo na boa e começo a me coçar loucamente. Dormindo, vejo as marcas vermelhas inexistentes pelo corpo. Minha tática tem sido acordar e repetir calmamente: nenhum mosquito te picou, deita e dorme. Tem funcionado.
Minha loucura também tem um talento para dar vexame. Já arrumei briga digna de expulsão pelos seguranças da festa (que lembrança boa da minha formatura). Já quebrei braço (meu mesmo). Já perdi dinheiro. Ontem fiz coisas que não me lembro, mas bebi de uma maneira inexplicável para qualquer ser humano com sinapses em boas condições. Tudo que sei é que fiquei sem dinheiro, bebi coisas que não sei como se chamam, tenho um cotovelo arranhado e muita vergonha pra carregar pelos próximos anos.
Já que vomitei na minha dignidade (olha que poesia), não me resta nada mais do que fazer a maluca consciente, a alcóolatra em recuperação e ficar uns dias sem beber, tratando de arrumar um terapeuta. Se minha vida fosse um filme, ela podia começar com a bela cena que protagonizei esta madrugada para os ácaros que cobrem o chão da minha casa: a luta para colocar o celular na tomada, sem sair da cama, suando para cacete, na esperança que no aparelho encontrasse um rastro das peripécias de ontem. Não tinha nada. Péssimo sinal. Se o espetáculo ao menos fosse engraçado teriam escrito um SMS. Comecei a chorar pensando que lágrimas podiam em ajudar a lembrar. Chorei de raiva, de vergonha e em vão. Não lembrei de nada e ainda perdi o sono. Essa sou eu: suor de cachaça, dependente do celular e preguiça de sair da cama.
Se souber de um terapeuta me manda um e-mail.

